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Dor musculoesquelética crónica: da perspetiva clínica à recuperação funcional

fevereiro 2026

Por FisioNunes

A dor musculoesquelética que persiste no tempo, mesmo quando não existe evidência de lesão estrutural evidente, é um dos desafios mais comuns — e frustrantes — na prática clínica contemporânea. Pessoas com dor crónica em zonas como cervical, lombar, ombro ou anca muitas vezes relatam que “os exames estão normais”, apesar de sentirem dor diária e limitação funcional. Este fenómeno não é raro e está bem descrito na literatura especializada em dor musculoesquelética.

A fisioterapia moderna assume que a dor crónica não é apenas um sinal físico. É um sinal de que o corpo se adaptou ao longo do tempo de forma ineficiente, desenvolvendo compensações e padrões de movimento que reforçam o desconforto. Ao longo dos últimos anos, abordagens baseadas em evidências têm destacado a importância de tratar a função e não apenas o sintoma — passo essencial para quebrar o ciclo da dor persistente.

Porque a dor persiste

A dor musculoesquelética crónica costuma envolver mais do que uma simples lesão tecidual. Pode resultar de:

  • Desiquilíbrios musculares que alteram a estabilidade de uma articulação;
  • Deficiências no controlo motor que levam a padrões de movimento repetitivos e inadequados;
  • Alterações posturais que sobrecarregam certas cadeias musculares;
  • Mecanismos de proteção que aumentam tensão e reduzem mobilidade.

Estes fatores desencadeiam um ciclo: o corpo limita o movimento para evitar dor, mas essa limitação cria mais compensações, perpetuando o quadro doloroso.

A avaliação fisioterapêutica

A avaliação funcional vai para além de um exame local. Inclui análise de:

  • Padrões de movimento global (por exemplo, como a coluna se articula com o quadril);
  • Força e equilíbrio entre grupos musculares;
  • Sequência de recrutamento durante movimentos funcionais;
  • História clínica detalhada para identificar gatilhos específicos.

Este tipo de avaliação identifica relações entre zonas aparentemente distantes — por exemplo, como uma limitação de mobilidade torácica pode contribuir para dor cervicobraquial.

Intervenção clínica baseada em movimento

A intervenção combina várias estratégias:

  • Técnicas manuais específicas, para restaurar mobilidade articular ou aliviar tensão em tecidos moles;
  • Treino de controlo motor, visando reeducar o corpo para padrões mais eficientes;
  • Exercício terapêutico progressivo, ajustado à tolerância e objetivo funcional da pessoa;
  • Educação prática, de forma a reduzir medo do movimento e promover participação ativa no processo de recuperação.

Não se trata apenas de “fazer exercícios” ou “alongar aqui e ali”. Trata-se de mover com propósito, com progressão e sob critério clínico sólido.

Resultados visíveis e sustentáveis

Quando a dor é abordada pela causa funcional, não apenas pelo sintoma, os resultados tendem a ser mais duradouros. Pacientes relatam:

  • Menos dor ao iniciar movimentos do dia a dia;
  • Capacidade de retomar atividades anteriormente evitadas;
  • Aumento de confiança e menor dependência de tratamentos passivos.

A dor musculoesquelética crónica não quer dizer que algo esteja permanentemente “estragado”. Significa que o corpo aprendeu um padrão que, com o tempo, deixou de ser funcional. A fisioterapia pode ajudá‑lo a reaprender a mover‑se de forma eficaz, a recuperar confiança no corpo e a encontrar um caminho real de recuperação.

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